Introdução Olivereduc

Se há uma coisa que chama a atenção do ser humano é o simbolismo nas palavras, imagens e gestos. A curiosidade logo se aguça e vem aquela vontade de querer saber um pouquinho mais. Quem nunca, ao ver a imagem de uma gárgula, teve o desejo de saber o porquê de sua existência e de seus significados? Essas assustadoras figuras de pedra colocadas no alto das mais belas catedrais, que sentido teriam? Por que as encontramos do lado de fora das grandes igrejas causando, aos mais sensíveis, um certo desconforto misturado com um medo inexplicável? O artigo a seguir traz um pouco dessas explicações. Pode ser que você fique satisfeito ou tenha, mais aguçada ainda, sua curiosidade. Boa leitura!
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A gárgula espreitando por trás de uma coluna da catedral é uma imagem profundamente simbólica.
À primeira vista, parece deslocada: criaturas grotescas adornando um espaço sagrado. Mas não estão ali por acaso. Elas recordam que o mal existe, que as tentações rondam o coração humano e que, mesmo nos lugares mais santos, a luta espiritual continua.
As catedrais góticas foram construídas como verdadeiros catecismos de pedra. Cada detalhe fala. As torres elevam o olhar para o céu, os vitrais filtram a luz como sinal da graça, as esculturas narram a história da salvação. E as gárgulas? Elas nos lembram da realidade do pecado e da necessidade de vigilância. Não estão no altar, nem no centro; permanecem à margem, como algo que não pertence ao interior da alma consagrada a Deus.
Quando Nosso Senhor declarou, às portas de Jerusalém: “Se estes se calarem, as pedras clamarão” (Lc 19,40), revelou que toda a criação foi feita para glorificar a Deus. Séculos depois, nas catedrais góticas, as próprias pedras parecem cumprir essa profecia. Elas sobem aos céus em arcos e torres, cantam silenciosamente em seus relevos e, até mesmo nas figuras mais estranhas, proclamam uma verdade espiritual.

A gárgula não glorifica o mal; ela o denuncia. Não celebra a escuridão; recorda que ela existe. E, ao fazê-lo, aponta indiretamente para a luz que brilha no interior do templo. Assim também é a vida cristã: cercada por tentações, mas chamada à santidade; marcada pela luta, mas sustentada pela graça.
No fim, até as pedras falam. E quando o coração humano louva a Deus, toda a criação encontra sua verdadeira harmonia.
Extraído do FB. Venerável Fulton Sheen ·
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